Resenha: Homunculus

Homunculus é um mangá adulto, produzido pelo mangaká Hideo Yamamoto, mesmo criador do aclamado mangá – adaptado para o cinema – “Ichi, The Killer”. Os capítulos foram publicados desde 2003 na antologia seinen Big Comic Spirits e foi finalizado com um total de 15 volumes.

A editora Panini é responsável pelo lançamento  do mangá no Brasil e fez um trabalho com qualidade regular. Porém, Homunculus sofreu uma série de desventuras em terras brasileiras devido a sua falta de popularidade entre o público. Suas vendas não foram boas, segundo a própria Panini. O que fez com que o título fosse lançado aos trancos e barrancos a partir da décima edição, com muita inconstância em sua publicação. Muitas vezes o mangá foi tido como cancelado por seus leitores, devido a falta de informações concretas por parte da editora até então. Após o lançamento da décima quarta edição, o mangá sofreu um hiatos de dois anos no Brasil, sem que a editora se pronunciasse a respeito. Mais uma vez todos esperavam um cancelamento, que felizmente não aconteceu, pois a Panini resolveu lançar o esperado último volume. Uma pena que mangás diferentes do padrão não se deem tão bem por aqui, mas isso é assunto para outro post.

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O roteiro gira em torno de Nakoshi, um “andarilho” que vive dentro de um carro velho, entre um parque urbano em Tóquio e um luxuoso hotel. Tudo começa quando Nakoshi é procurado por Ito, um estudante de medicina pouco convencional, disposto a fazer uma experiência chamada trepanação, que consiste em furar o crânio do paciente pra diversos fins. Após combinar um valor para servir de cobaia, Nakoshi sem muitas expectativas em sua vida, aceita a proposta do jovem médico e realiza tal experimento. Ito relata que muitas pessoas que se submeteram a esse procedimento desenvolveram alucinações e acabaram cometendo suicídio. Nakoshi realiza a cirurgia e a partir de então ao tapar seu olho esquerdo enxerga “monstros” nas pessoas, que logo após estudos de Ito descobre-se que se tratam de Homunculus.

Homunculus ou Homunculi, na psicologia, são imagens de como as pessoas se vêem no subconsciente. Ou seja, Nakoshi passa a “enxergar” o subconsciente das pessoas ao seu redor e começa a se envolver com elas para descobrir mais sobre sua nova habilidade e ao mesmo tempo ajudar a resolver os problemas pessoais que causam a aparição desses Homunculus. Curiosamente ao resolver tais problemas, partes dos Homunculus começam a integrar o corpo do Nakoshi quando o mesmo se vê com o olho esquerdo fechado.

Ao longo da história, são apresentados flashbacks com o passado de Nakoshi, relatando porque ele se tornou um andarilho, sendo que era um bem sucedido analista financeiro de um grande banco internacional. A partir daí, muitos mistérios povoam a cabeça dos leitores em relação ao futuro e passado de Nakoshi. Porque parte dos homunculus incorporam em Nakoshi? Porque ele abandonou tudo pra viver como mendigo? O que de fato é essa habilidade? São exatamente esses mistérios que prende o leitor a cada capítulo que se passa.

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Talvez Homunculus não seja um título recomendado para todos, principalmente por ter algumas passagens bem polêmicas e consideradas até mesmo nojentas para pessoas mais sensíveis. É um título que não procura se apegar em clichês e não se importa em mostrar situações pouco comuns.

A arte do mangá é  típica dos títulos adultos, porém é bem inconstante nos primeiros volumes. Perspectivas e anatomias são um pouco distorcidas no início, mas ao passar do tempo os traços de Hideo Yamamoto se tornam espetaculares. A narrativa é um caso a parte, tudo é bem apresentado e a história segue em um ritmo razoável e agradável de se acompanhar.

Vale a tentativa de leitura, principalmente pra quem procura nos mangás algo além das fórmulas repetitivas de sucesso que estão disponíveis aos montes nas bancas.

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2 thoughts on “Resenha: Homunculus

  1. Homunculus foi um dos melhores mangás que li. Parei no volume 3 quando estava sendo traduzido por fãs. Vou esperar baratear o mangá e comprar todos os volumes. Tai um belíssimo exemplar de estante.

    • A tendência é que o mangá se esgote nas bancas e lojas (alguns volumes como o primeiro já são difíceis de se achar) e o preço na verdade irá subir. As editoras de mangás tem feito tiragens baixas de seus mangás (e o público aumentou), não sendo como antigamente ao ponto das lojas fazerem promoções pra se livrar do estoque. Em questão de meses após lançados, alguns volumes de certos títulos estão se tornando raros. É comum ver o povo vendendo por R$50 um volume considerado raro. Se tiver a oportunidade de comprar a coleção, não espere ela se tornar rara! =D

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