Opinião: Vinland Saga pela Panini

Enfim foi lançado o mangá que é forte concorrente ao melhor lançamento de mangás em 2014 no Brasil.

vs00

Em meio a tantas opções de títulos nas bancas, Vinland Saga chega para aliviar um pouco os fãs de títulos mais maduros. Mesmo com a rejeição em seu anúncio por parte de muitos consumidores da editora Panini no Facebook, que esperavam sedentos por títulos mais hypados (e não tão bons assim), o mangá de Makoto Yukimura entra para o time dos bons títulos seinens a saírem em terras brasileiras, demográfico que tem dado as caras cada vez mais no Brasil em tempos recentes.

Mesmo não sendo um título completamente desconhecido do público, Vinland Saga por aqui era um título pouco provável por agora,  justamente por ser conhecido por um nicho dentro do nicho, acabou pegando muitos de surpresa.

Apesar de um histórico de vendas não tão bom com títulos adultos, a Panini resolveu arriscar mais uma vez em um mangá voltado ao público adulto. Porém, apesar da desconfiança de muitos, Vinland Saga é um mangá que agrada facilmente entusiastas de mangás shonen pela estrutura de seu roteiro, apesar dos seus traços serem menos cartunescos que o shonen padrão. Inclusive o mangá começou a ser veiculado no Japão na antologia semanal para garotos Shonen Magazine, sendo migrada posteriormente para a Monthly Afternoon, essa já voltada ao público jovem-adulto, também da editora Kodansha. Ou seja, mesmo sendo um seinen, seu apelo é muito maior que outros mangás adultos da Panini, que infelizmente não se deram muito bem.

Vinland-Saga-art-progression

A mudança de antologia fez bem para Vinland Saga, como pode ser conferido acima e poderá ser conferido ao decorrer da publicação da Panini. Seus traços ficaram ainda mais detalhistas, o que muitas vezes espanta o público médio, que normalmente prefere algo mais “plástico” e limpo, mas que deixa qualquer fã de belos traços de boca aberta. Isso talvez também tenha se refletido até na qualidade do roteiro, visto que em lançamento mensal, tudo pode ser feito com mais esmero.

Falando sobre o roteiro em si, inicialmente pode soar muito genérica qualquer sinopse que eu faça em cima do primeiro volume, mas vale tentar, mesmo que superficialmente para não estragar a surpresa de se ler este mangá:

“Thorffin é um jovem bárbaro e integra o grupo viking de Askeladd. Curiosamente Askeladd é o homem que matou seu pai. Um dos objetivos de Thorffin é vingar a morte de seu genitor. Vinland Saga se passa a partir de 1013 no norte do globo e contém elementos baseados na cultura nórdica/viking e no modo de vida dos povos do norte naquele tempo.”

O  plot inicial pode não convencer em uma simples sinopse, mas o contexto em que Vinland Saga se passa é extremamente fascinante e fácil se apegar a história e aos personagens. Makoto Yukimura provavelmente fez um trabalho de pesquisa estupendo para escrever/desenhar este mangá.

Tudo remete a cultura daquela época e região onde se passa a história, desde as paisagens até as vestimentas, dos costumes aos nomes e o que mais for possível. O realismo dessa caracterização é realmente esplêndida e já se mostrou impactante neste primeiro volume. Além disso, desenvolvimento de personagens e personalidades carismáticas é uma marca de Yukimura. Quem leu seu antigo mangá Planetes, sabe bem disso.

vs02

Yukimura mostra muito bem neste primeiro volume o mundo onde ele contará sua história, inserindo por exemplo partes sobre escravidão de povos eslavos, algo comum na época e que poderia facilmente ser deixada de lado, pra se focar apenas em batalhas e coisas do gênero. A ambientação é realmente incrível. O primeiro volume conseguiu já mostrar o que se pode esperar do mangá: não apenas lutas surreais e desenhos bonitos, mas também questionamentos morais e um roteiro viciante.

Falando um pouco sobre a qualidade da edição brasileira, digo que está dentro da regularidade do nosso mercado. Felizmente segue o padrão atual em que as páginas em papel jornal possuem uma gramatura um pouco maior, tem impressão colorida na parte interna da capa e quatro lindas páginas coloridas em papel couché. Algo que me incomoda a algum tempo e que permanece nessa edição de Vinland Saga é o espelhamento da capa e contra-capa, algo ainda comum que parece estar longe de ser melhorado, apesar de termos avançado um pouco quanto a isso . Porém nada grave, visto que o público em geral não se importa tanto com essa questão.

O primeiro volume tem cerca de 216 páginas, está no formato 13,7 x 20 cm já comum nos mangás da Panini e com preço de R$11,90. Sua periodicidade será bimestral, dando tempo razoável pra lançar os atuais 14 volumes, enquanto a obra segue sendo lançada no Japão.

Você se pergunta se vale a pena comprar Viland Saga? É facilmente um dos melhores mangás em banca hoje no Brasil, segundo este que vos fala.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s